Bling e Mercado Livre: Como funciona a integração entre os canais
Atualizado: há 2 dias

Vender no Mercado Livre é relativamente simples. Administrar tudo o que acontece depois da venda é que começa a exigir mais estrutura.
Conforme o volume aumenta, a empresa precisa acompanhar pedidos, estoque, produtos, preços, faturamento, separação e expedição. Se ela também vende em outros marketplaces ou em uma loja virtual própria, controlar cada canal separadamente começa a consumir tempo e aumentar o risco de divergências.
A integração entre O ERP Bling e Mercado Livre ajuda justamente a conectar essas duas partes da operação.
O Mercado Livre continua sendo o canal onde a venda acontece. O Bling passa a participar da gestão do que acontece com aquela venda dentro da empresa.
Pedidos podem ser importados para o ERP, produtos e anúncios podem ser vinculados, estoque e preços podem ser sincronizados e o faturamento pode fazer parte do mesmo fluxo operacional.
Na prática, porém, uma boa integração depende de algo que considero tão importante quanto conectar as contas: definir corretamente como Mercado Livre e Bling devem conversar.
Como funciona a integração entre Bling e Mercado Livre?
A conexão é feita dentro da Central de Extensões do Bling. Para realizar a integração, é necessário possuir uma conta de vendedor no Mercado Livre e autorizar a conexão entre as plataformas.
Depois da autenticação, entram as configurações que determinam como a operação funcionará.
É possível configurar a importação automática dos pedidos e mapear as situações utilizadas pelo Mercado Livre para as situações correspondentes dentro do Bling.
Também existe uma relação entre os produtos cadastrados no ERP e os anúncios existentes no marketplace.
Esse vínculo é fundamental. É ele que permite ao sistema reconhecer qual produto do Bling corresponde ao item vendido no Mercado Livre e participar corretamente de processos como estoque e preço.
Por isso, quando uma integração apresenta problemas, eu não costumo olhar apenas para a autenticação das contas. O vínculo entre produto e anúncio é uma das primeiras coisas que eu verifico.
Os pedidos do Mercado Livre podem entrar automaticamente no Bling
Uma das principais vantagens da integração é não precisar transportar manualmente cada venda para o ERP.
O Bling permite configurar a importação automática dos novos pedidos do Mercado Livre.
Quando a empresa vende pouco, acessar o marketplace e administrar algumas vendas individualmente talvez não pareça um grande problema.
A situação muda conforme o volume aumenta ou quando existem outros canais envolvidos.
Imagine uma empresa vendendo simultaneamente no Mercado Livre, Shopee e em sua própria loja virtual. Se cada venda precisa ser localizada, conferida e inserida manualmente no sistema de gestão, a equipe começa a gastar uma parte significativa do dia apenas fazendo informações circularem.
A importação automática reduz esse trabalho.
Mas existe um detalhe importante: o pedido entrar automaticamente no Bling não significa que todo o restante da operação está automaticamente resolvido.
Ainda é preciso definir o que acontece com esse pedido depois da importação.
Como ele será faturado? Em que momento haverá movimentação de estoque? Como seguirá para separação? Quais situações serão utilizadas dentro do ERP?
É essa configuração que transforma uma simples conexão em um fluxo de trabalho.
Estoque entre Bling e Mercado Livre
Estoque costuma ser uma das partes mais importantes dessa integração.
Para que a sincronização funcione corretamente, o produto do Bling precisa estar vinculado ao anúncio correspondente no Mercado Livre.
A partir dessa relação, o saldo utilizado pelo marketplace pode acompanhar as movimentações do estoque configurado no Bling.
Isso ganha ainda mais importância quando o mesmo produto é vendido em vários canais.
Imagine que existem três unidades disponíveis de determinado item e ele está anunciado no Mercado Livre, na Shopee e na loja virtual da empresa.
A venda realizada em um canal interfere na quantidade que a empresa realmente possui disponível para os demais, e tentar administrar isso manualmente se torna cada vez mais arriscado conforme aumentam o volume de pedidos e a quantidade de produtos.
É aí que a sincronização de estoque mostra seu valor.
Mas também é onde uma configuração ruim costuma ficar bastante visível.
Se o saldo do Bling não representa o estoque físico, o depósito utilizado na integração está incorreto ou os produtos não estão devidamente vinculados, a sincronização não resolve a origem do problema.
O Bling pode enviar uma informação de estoque ao Mercado Livre. Antes disso, a empresa precisa garantir que essa informação seja confiável.
Essa diferença é fundamental.
Produto no Bling e anúncio no Mercado Livre não são a mesma coisa
Esse é um conceito que eu considero importante para quem está começando a trabalhar com a integração.
O cadastro do produto dentro do Bling e o anúncio publicado no Mercado Livre são elementos relacionados, mas não são exatamente a mesma coisa.
O produto representa o item dentro da estrutura do ERP.
O anúncio possui características próprias do marketplace, como categoria, atributos e outras informações exigidas pelo Mercado Livre.
Para que as plataformas saibam que estão tratando do mesmo item, existe um vínculo entre elas.
Atualmente, o Bling possui uma área de Gestão de Anúncios do Mercado Livre que permite trazer anúncios para o sistema, fazer vínculos e também criar novos anúncios pelo próprio Bling.
Também é possível trabalhar com sincronização automática de estoque e preços.
Para operações com muitos produtos, essa organização faz bastante diferença.
Quando os vínculos são feitos sem critério, começam a aparecer situações como produtos duplicados, estoque divergente ou dificuldade para identificar corretamente qual cadastro está relacionado a determinado anúncio.
Por isso, eu teria cuidado principalmente ao integrar uma conta do Mercado Livre que já possui um catálogo grande.
Não é simplesmente uma questão de conectar e importar tudo.
Antes, vale entender qual plataforma possui a base de produtos mais organizada e como esses cadastros serão relacionados.
Dá para atualizar preços do Mercado Livre pelo Bling?
Sim. A integração permite trabalhar com sincronização de preços entre o Bling e os anúncios vinculados do Mercado Livre.cIsso é especialmente útil quando o ERP passa a funcionar como ponto central da gestão de produtos.
Também é possível trabalhar com preços diferentes para diferentes canais de venda.
Essa possibilidade é importante porque uma estratégia de preço não precisa necessariamente ser igual em todos os marketplaces.
Taxas, campanhas, posicionamento e custos podem variar de canal para canal.
O cuidado, novamente, está em definir onde a informação será administrada. Quando a equipe altera preço no ERP, no marketplace e em outros controles sem uma regra clara, aumenta o risco de uma plataforma sobrescrever uma informação atualizada em outra.
Centralização funciona melhor quando existe uma fonte de informação definida.
E a emissão de nota fiscal?
Depois que o pedido do Mercado Livre chega ao Bling, ele pode seguir para o processo de faturamento dentro do ERP.
Isso permite conectar a venda ao restante da estrutura fiscal da empresa e, dependendo da configuração utilizada, trabalhar também com automações relacionadas à emissão da NF-e.
Para uma operação com muitos pedidos, essa continuidade é uma das partes mais relevantes da integração.
A venda deixa de ser apenas uma informação existente dentro do Mercado Livre e passa a participar do processo interno da empresa.
Só que faturamento automático exige uma base fiscal bem configurada. Natureza de operação, dados fiscais dos produtos, tributação e demais informações precisam representar corretamente a realidade da empresa.
Eu sempre trataria essa etapa com cuidado.
Automatizar uma emissão fiscal só é uma vantagem quando as regras utilizadas para emitir estão corretas.
Bling e Mercado Livre Full
Quem utiliza o Mercado Envios Full precisa observar que essa operação possui particularidades.
O Bling possui integração específica para o Mercado Livre Fulfillment, com configurações próprias relacionadas à operação.
Nesse modelo, parte da logística e do estoque acontece dentro da estrutura de fulfillment do Mercado Livre, então o fluxo não deve ser tratado exatamente da mesma maneira que uma operação em que a própria empresa armazena, separa e envia seus pedidos.
Essa diferença é importante principalmente para empresas que trabalham simultaneamente com estoque próprio e produtos enviados para o Full.
O ERP precisa representar corretamente onde cada estoque está e como as movimentações acontecem.
Onde normalmente começam os problemas da integração?
Na minha experiência, é muito fácil atribuir qualquer divergência à “integração”.
Nem sempre o problema está nela.
Um pedido que não encontra corretamente um produto pode ter relação com o vínculo. Um estoque diferente do esperado pode ter origem no depósito utilizado ou em uma movimentação anterior. Um anúncio pode estar associado a um cadastro que não deveria ser utilizado.
Por isso, quando alguma coisa não funciona como esperado, eu tento reconstruir o caminho da informação.
Qual produto está envolvido? A qual anúncio ele está vinculado? Qual estoque deveria ser utilizado? O pedido entrou? Qual situação recebeu? O que deveria acontecer depois?
Essa forma de analisar costuma ser muito mais eficiente do que alterar várias configurações ao mesmo tempo tentando descobrir qual delas resolverá o problema.
Integrações conectam processos. Consequentemente, um erro em uma etapa pode aparecer em outra.
Vale a pena integrar Mercado Livre e Bling?
Para quem utiliza o Mercado Livre como um canal relevante de vendas, a integração pode reduzir bastante o trabalho de administrar o marketplace de maneira isolada.
O ganho fica ainda mais evidente quando a empresa também vende em outros canais.
Nesse cenário, o Bling pode funcionar como ponto central para pedidos, produtos, estoque, faturamento e outras etapas da operação, enquanto o Mercado Livre continua cumprindo seu papel como canal de venda.
Eu só evitaria enxergar a integração como um botão que transforma automaticamente uma operação desorganizada em uma operação integrada.
Antes de automatizar, é preciso definir produtos, vínculos, estoque, depósitos, fiscal e fluxo dos pedidos.
Quando essa estrutura está bem montada, a integração começa a fazer aquilo que realmente deveria fazer: reduzir trabalho operacional sem tirar o controle da empresa.
E quanto maior o volume de vendas, mais relevante essa organização tende a se tornar.
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Escrito por Tatiane Bellucca | Zari Consulting

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