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Bling para loja física: como funciona o ERP no varejo

  • há 3 dias
  • 7 min de leitura


Quando se fala em Bling, muita gente ainda associa o sistema principalmente a e-commerce e marketplaces.

Essa associação faz sentido porque o Bling construiu uma presença forte entre empresas que vendem online. Mas o ERP também possui uma estrutura voltada para lojas físicas, incluindo Frente de Caixa (PDV), controle de estoque, emissão de NFC-e, gestão financeira e integração com canais de venda online.

Para uma operação de varejo, isso abre uma possibilidade interessante.

A mesma empresa pode registrar uma venda realizada no balcão, controlar o estoque daquele produto e, se também vender pela internet, administrar os diferentes canais dentro de uma estrutura integrada.

Na minha visão, é justamente nessa combinação entre loja física e gestão centralizada que o Bling começa a ficar mais interessante para o varejo.


Como funciona o Bling para loja física?

O Bling pode funcionar como o sistema de gestão da empresa e também oferecer a estrutura utilizada para registrar as vendas presenciais.

A venda no balcão pode ser realizada pelo Frente de Caixa (PDV), conectado aos produtos e ao estoque cadastrados no ERP.

Isso significa que a venda física não precisa existir isoladamente da gestão.

Quando um produto é vendido, aquela movimentação passa a fazer parte das informações utilizadas pela empresa para acompanhar estoque, vendas, caixa e financeiro.

Parece uma diferença pequena, mas ela muda bastante a organização de uma loja.

Uma coisa é utilizar um sistema apenas para registrar o que passou pelo caixa.

Outra é fazer com que o caixa participe do restante da gestão.


Como funciona o Frente de Caixa do Bling?

O Frente de Caixa é o recurso utilizado para registrar as vendas presenciais.

Nele, a empresa pode trabalhar com produtos, clientes, vendedores, formas de pagamento e movimentações relacionadas ao caixa.

Para quem atende diretamente o consumidor, essa é a parte do Bling que fica mais próxima da rotina de um PDV tradicional.

Mas existe uma característica que precisa ser considerada antes da contratação: o Frente de Caixa do Bling funciona online.

Isso significa que é necessário ter conexão com a internet para utilizá-lo.

Para uma loja localizada em uma região com internet estável, isso pode não representar uma preocupação relevante. Para uma operação em que quedas de conexão são frequentes, eu colocaria esse ponto na avaliação antes de escolher o sistema.

Não adianta analisar apenas o que um PDV consegue fazer quando tudo está funcionando. No varejo físico, também precisamos pensar no que acontece em um sábado movimentado se a infraestrutura da loja falhar.


A venda no balcão pode movimentar o estoque

Essa é uma das partes que considero mais importantes.

O Bling permite conectar a venda realizada na loja física ao controle de estoque do ERP.

Se uma camiseta foi vendida no balcão, aquela unidade deixou de estar disponível para a empresa. Parece óbvio, mas muitas divergências de estoque começam justamente quando vendas e movimentações não seguem a mesma estrutura.

O problema fica ainda mais evidente quando a empresa também vende online.

Imagine uma loja que possui três unidades de determinado produto. O item está disponível no estabelecimento físico e também anunciado na loja virtual.

Um cliente entra na loja e compra duas unidades.

A operação online precisa trabalhar com a nova realidade daquele estoque.

É nesse tipo de cenário que utilizar o mesmo ERP para diferentes canais pode fazer bastante diferença.


Loja física e e-commerce podem trabalhar juntos no Bling

Esse talvez seja o cenário em que eu mais consideraria o Bling para uma operação de varejo.

A empresa não precisa escolher entre ser física ou digital.

Ela pode possuir loja física, e-commerce e marketplaces ao mesmo tempo.

O Bling permite trabalhar com vendas presenciais e canais online, além de configurar estoques compartilhados ou utilizar diferentes depósitos conforme a estrutura da operação.

Essa flexibilidade é importante porque nem toda empresa trabalha da mesma maneira.

Uma loja pode utilizar o mesmo estoque para o balcão e para o site.

Outra pode manter parte da mercadoria em um centro de distribuição e outra parte na loja.

Uma terceira pode possuir várias unidades.

Antes de configurar qualquer integração, eu definiria primeiro como o estoque físico da empresa realmente está organizado.

O ERP deveria representar essa realidade, e não obrigar a operação a se adaptar a uma estrutura que não existe.


Um estoque único ou vários depósitos?

O Bling permite trabalhar com múltiplos depósitos, e essa possibilidade ganha bastante relevância no varejo.

O depósito não precisa ser entendido apenas como um galpão.

Dependendo da estrutura da empresa, ele pode ajudar a representar diferentes locais ou organizações de estoque.

A própria documentação atual do Bling confirma que o sistema pode trabalhar com saldo para várias lojas e vários depósitos.

Mas eu evitaria criar depósitos demais simplesmente porque o recurso existe.

Cada divisão adicionada ao estoque precisa ter uma finalidade operacional clara.

Se a empresa possui uma loja e um centro de distribuição, por exemplo, pode fazer sentido controlar esses saldos separadamente.

Se existe apenas um estoque físico, criar uma estrutura muito fragmentada sem necessidade pode tornar as movimentações mais difíceis de acompanhar.

Uma configuração de ERP deveria simplificar a leitura da operação, não torná-la mais sofisticada do que precisa ser.


E quando a empresa possui mais de uma loja?

Esse é outro cenário que precisa ser analisado com mais cuidado.

O Bling permite cadastrar filiais para estabelecimentos da mesma empresa que compartilham a raiz do CNPJ. Essas unidades podem trabalhar com emissão fiscal e estoques específicos.

Para quem está expandindo o varejo físico, isso muda bastante a necessidade de gestão.

Uma empresa com apenas uma loja consegue acompanhar a operação de maneira relativamente próxima.

Quando surgem novas unidades, começam perguntas diferentes.

Quanto existe em cada estoque? Qual unidade vende mais determinado produto? Como serão tratadas as movimentações entre locais? Como cada estabelecimento participa da estrutura fiscal?

A partir desse momento, o ERP deixa de ser apenas uma ferramenta para registrar vendas e passa a ser necessário para dar visibilidade ao conjunto da operação.


Como funciona a emissão de NFC-e?

Para vendas presenciais, o Bling possui emissão de Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica, a NFC-e, integrada ao Frente de Caixa.

Depois que as configurações fiscais necessárias estão preparadas, a NFC-e pode ser gerada a partir da venda realizada no PDV.

Aqui eu manteria o mesmo cuidado que considero necessário em qualquer implantação fiscal.

O fato de o sistema conseguir emitir o documento não significa que a configuração tributária da empresa está automaticamente correta.

Produtos, dados fiscais e regras utilizadas na emissão precisam ser revisados de acordo com a realidade da empresa e com a orientação contábil aplicável.

O caixa precisa ser rápido para quem está atendendo o cliente.

A estrutura por trás dele, porém, precisa ser confiável.


O financeiro também pode acompanhar a loja

Uma loja física não precisa apenas saber quanto vendeu no dia.

Ela precisa acompanhar entradas, saídas, contas a pagar, contas a receber e fluxo de caixa.

O Bling possui uma estrutura financeira integrada ao restante do ERP e também oferece recursos para controle dos caixas utilizados na operação.

Isso ajuda a diminuir um problema que vejo em muitos negócios: o caixa sabe quanto vendeu, o estoque sabe o que saiu e o financeiro tenta juntar essas informações depois.

Quando os processos fazem parte do mesmo ambiente, existe uma base melhor para acompanhar o que aconteceu.

Ainda assim, sistema financeiro e gestão financeira não são a mesma coisa.

O ERP registra e organiza informações. A empresa continua precisando acompanhar resultados, conferir movimentações e entender o que aqueles números dizem sobre o negócio.


E as vendas no cartão?

O Bling também possui integração com determinados modelos de Smart POS para conectar o recebimento realizado na maquininha ao processo de venda e conciliação.

Essa possibilidade pode reduzir etapas manuais no caixa, mas eu verificaria a compatibilidade antes de considerar esse recurso na decisão de compra.

As integrações disponíveis dependem dos equipamentos e condições suportados pelo Bling. A própria Central de Ajuda mantém instruções específicas para os modelos compatíveis.

Esse é um bom exemplo de algo que eu não avaliaria de forma genérica.

Se a integração com a maquininha é importante para a empresa, precisamos verificar a maquininha que aquela empresa realmente utiliza.


Bling para loja física vale a pena?

Eu consideraria o Bling principalmente para uma loja que não procura apenas um sistema de caixa.

Se a necessidade é registrar vendas presenciais, controlar estoque, organizar financeiro e eventualmente conectar e-commerce e marketplaces, a proposta do ERP fica mais interessante.

O cenário que mais chama minha atenção é justamente o varejo híbrido.

Uma empresa começa com uma loja física. Depois cria um Instagram, entra em um marketplace, lança seu e-commerce ou começa a vender por diferentes canais.

O estoque continua sendo o mesmo negócio.

O financeiro continua sendo o mesmo negócio.

Os produtos continuam pertencendo à mesma operação.

Separar a gestão de cada canal pode funcionar durante algum tempo. Conforme as vendas aumentam, essa fragmentação começa a cobrar um preço.

Nesse contexto, utilizar um ERP que consiga acompanhar tanto o balcão quanto as vendas online pode reduzir bastante a quantidade de controles paralelos.


Quando eu avaliaria outra solução?

Nem toda loja física precisa do mesmo tipo de sistema.

Existem operações com necessidades muito específicas de varejo, equipamentos, contingência offline, regras comerciais ou processos próprios de determinados segmentos.

Se a empresa depende de alguma funcionalidade crítica para o funcionamento diário, eu verificaria essa necessidade antes da contratação.

A questão da internet no PDV é um exemplo.

Também analisaria equipamentos utilizados, quantidade de unidades, estrutura fiscal, volume de vendas e integrações necessárias.

Eu evitaria escolher um ERP porque “serve para loja física”.

A pergunta deveria ser mais específica:

ele atende à forma como esta loja física realmente funciona?

É essa resposta que determina se a ferramenta será adequada depois que a implantação terminar.


O varejo físico também precisa pensar de forma multicanal

Existe uma mudança importante acontecendo na própria definição de loja física.

Uma empresa pode vender no balcão e permitir retirada de pedidos online. Pode utilizar o estoque da loja para atender um marketplace. Pode ter um centro de distribuição separado. Pode começar uma venda em um canal e concluir em outro.

Quando isso acontece, pensar no PDV isoladamente começa a fazer menos sentido.

A venda presencial passa a ser um dos canais da empresa, não necessariamente uma operação independente.

É nesse ponto que vejo uma vantagem relevante do Bling para loja física.

O sistema pode acompanhar a venda do balcão, mas também permite construir uma estrutura em que estoque, produtos, financeiro e canais digitais façam parte da mesma gestão.

Para uma pequena empresa que pretende crescer no varejo sem separar completamente o físico do digital, essa característica merece atenção.


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Escrito por Tatiane Bellucca | Zari Consulting


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